Família de PM encontrada morta diz que pode apoiar exumação do corpo em busca de 'verdade e justiça'

  • 04/03/2026
(Foto: Reprodução)
Gisele Alves Santana era policial militar e deixa uma filha de sete anos. Montagem/g1/Arquivo pessoal A família da policial militar Gisele Alves Santana afirmou na terça-feira (3), por meio do advogado de defesa, que espera que novos laudos periciais tragam esclarecimentos sobre a morte da soldado e não descarta apoiar um eventual pedido de exumação do corpo, caso a medida seja solicitada oficialmente durante a investigação. Gisele, de 32 anos, foi encontrada morta com um tiro na cabeça na manhã de 18 de fevereiro no apartamento onde vivia com o marido, o tenente-coronel da PM Geraldo Neto, de 53 anos, no Brás, região central de São Paulo. O caso foi registrado inicialmente como suicídio, mas passou a ser investigado como morte suspeita. Em entrevista coletiva, o advogado da família, José Miguel Silva, afirmou que a exumação “não é comum” em investigações, mas pode ser necessária caso os peritos não consigam chegar a uma conclusão definitiva. Sangue encontrado em box pode dar novo rumo à investigação da morte de uma PM em SP Segundo ele, apesar de a medida ser “chocante e traumatizante” para os parentes, a família está disposta a apoiar o procedimento se isso ajudar a esclarecer o que aconteceu. “A família não quer injustiça, a família quer justiça. É o direito de um pai, de uma mãe e de uma filha saber o que realmente aconteceu naquele dia”, disse o advogado. O 8º DP, que investiga todas as circunstâncias possíveis relacionadas à morte da soldado, afirmou que avalia se pedirá a exumação do corpo dela para sanar eventuais dúvidas que tem sobre como a soldado morreu. A nova perícia dependeria de autorização judicial. Mesmo diante das incertezas que cercam a morte de Gisele, Geraldo ainda não é considerado investigado. A equipe de reportagem tenta contato com a defesa dele para comentar o assunto. De acordo com o que o coronel disse no boletim de ocorrência do caso, as discussões entre ele e a esposa foram motivadas por ciúmes dela. Geraldo falou que surgiram boatos na Corregedoria da PM de que ele teria amantes. Ele pediu afastamento do trabalho na Polícia Militar (PM). Controle das redes sociais Print de conversa de PM com primo de Gisele Reprodução Um print de conversa obtido pela família da policial militar Gisele Alves Santana, no entanto. mostra que o tenente-coronel da PM Geraldo Neto afirmava ter acesso e controle sobre as redes sociais da esposa. Segundo o advogado dos familiares, José Miguel Silva, o print reforça a suspeita de controle e violência psicológica exercidos pelo marido. Na mensagem, ele teria usado o próprio perfil para repreender um primo dela após supostamente ter visto a conversa dos dois no perfil da esposa. Ele afirmou que o homem estaria “conversando demais” com Gisele. “Ele tinha acesso e total controle às redes sociais dela”, afirmou o advogado José Miguel Silva, ao g1. De acordo com ele, na conversa, o primo responde de forma cordial — "Eu sou primo dela, a gente foi criado juntos, legal, vamos marcar um churrasco" —, mas o marido encerra de forma ríspida: "Não quero que fique de conversa". O material, segundo a defesa da família, integra um conjunto de indícios que apontam para um relacionamento abusivo. O advogado afirma que Gisele era impedida de manter contato com familiares, de usar maquiagem, de frequentar academia e que insistia na separação. Print de conversa do tenente-coronel com primo de Gisele Reprodução Coronel fala em suicídio Em seu depoimento inicial na delegacia que investiga o caso, Geraldo afirmou que discutiu com Gisele quando ela falou que queria se separar. Ele contou que foi tomar banho e um minuto depois ouviu o barulho do disparo. A PM Gisele Santana e o marido Geraldo Leite Rosa Neto, tenente-coronal da Polícia Militar. Reprodução/TV Globo Quando abriu a porta, o coronel disse que encontrou a esposa caída na sala. Segundo Geraldo, ela estava ferida e sangrando na cabeça, segurando uma arma dele na mão. Em seguida, ele acionou as autoridades para pedir ajuda e contar o que aconteceu. Mas a família de Gisele sempre contestou essa versão de suicídio. Parentes contaram no 8º Distrito Policial (DP), Brás, que o relacionamento dela com Geraldo era tóxico, e a mulher sofria violência psicológica. Que ele a perseguia e proibia que ela usasse perfumes, batom e salto alto. Ela também só poderia ir à academia com ele. SP registra recorde de feminicídio para o mês de janeiro Sangue no box e tiro encostado PM encontrada morta: laudo revela disparo de arma encostado no lado direito da cabeça A perícia da Polícia Técnico-Científica usou luminol e encontrou sangue ainda não identificado no box do banheiro onde Geraldo havia dito que foi tomar banho antes de ocorrer o disparo. O laudo necroscópico ainda concluiu que o tiro que matou Gisele foi dado com o cano da arma encostado do lado direito da cabeça. O exame residuográfico, que serve para detectar resquícios de pólvora, deu negativo para as mãos da soldado e também para as do tenente-coronel. A investigação realiza mais exames para saber quem apertou o gatilho. O casal vivia junto desde 2024. A filha de Gisele, de 7 anos, morava com eles, mas não estava no apartamento no momento do disparo que matou sua mãe. Polícia faz reconstituição da morte de PM achada com tiro na cabeça no Centro de SP

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/03/04/familia-de-pm-encontrada-morta-diz-que-pode-apoiar-exumacao-do-corpo-em-busca-de-verdade-e-justica.ghtml


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