Festa de Frei Galvão: entenda os três nós, as pílulas da fé e a porta da humildade em Guaratinguetá
16/10/2026
(Foto: Reprodução) Festa de Frei Galvão: entenda os três nós, as pílulas da fé e a porta da humildade em SP
Fitas com três nós que simbolizam fé, esperança e caridade, pequenos papéis com orações que podem ser ingeridos e uma porta com pouco mais de um metro de altura, que exige uma reverência para ser atravessada.
Essas são as tradições que fazem parte da devoção a Frei Galvão, em Guaratinguetá, no interior de São Paulo.
Os símbolos estão presentes no santuário dedicado ao primeiro santo nascido no Brasil e fazem parte da experiência de fiéis que visitam o local para rezar, agradecer e fazer pedidos. A Festa de Frei Galvão começou nesta sexta-feira (16) e deve reunir cerca de 120 mil devotos ao longo de dez dias de programação.
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Três nós: fé, esperança e caridade
Uma das tradições do santuário é amarrar fitas com três nós, cada um associado a um significado: fé, esperança e caridade. Durante a visita, os devotos são convidados a fazer os nós e deixar pedidos pessoais.
O costume é inspirado no cordão que Frei Galvão usava na roupa e que simbolizava seus votos religiosos. Hoje, as fitas coloridas representam uma forma de expressar a devoção ao santo. Entre os pedidos deixados pelos fiéis estão intenções relacionadas à família, à união e à fé.
Frei Galvão e pílulas de fé, em Guaratinguetá.
Reprodução/TV Vanguarda
Pílulas da fé
Outra tradição ligada ao santo são as chamadas pílulas de Frei Galvão. Os pequenos papéis comestíveis levam uma oração e são distribuídos aos fiéis no santuário.
A voluntária Elenice Paiva de Oliveira participa da distribuição e conta que costuma incentivar os devotos a tomar as pílulas com fé. Segundo ela, os relatos de quem retorna para compartilhar suas experiências são motivo de emoção.
“Eu falo para eles tomarem pílula com fé, depois vem trazer testemunho para a gente, porque a gente também se emociona com o testemunho de que está doente e depois com o testemunho que foi curado. E é muito gratificante estar aqui, eu amo estar aqui.”
Porta da Humildade
Além das fitas e das pílulas, outro espaço chama a atenção de quem visita o santuário: a Porta da Humildade, que tem pouco mais de um metro de altura.
Para atravessá-la, os visitantes precisam se curvar diante de uma representação do Menino Jesus e de uma relíquia: uma pedra da Gruta do Nascimento de Jesus.
A professora aposentada Alzira Vieira descreve a visita como um retiro espiritual. Ela conta que procura observar os detalhes do local e ficou impressionada com a simplicidade representada pela passagem.
“Eu estou assim, deslumbrada, né? Porque é tão difícil a gente achar, e tanta humildade, tanto é que ele tem uma Porta da Humildade.”
A necessidade de se abaixar para passar pela porta também provoca reflexões entre os visitantes. Uma das devotas relatou ter sentido algo bom ao fazer o gesto.
Fitas com três nós, que representam fé, esperança e caridade, e a Porta da Humildade, em Guaratinguetá.
Reprodução/TV Vanguarda
Quem foi Frei Galvão?
Frei Galvão nasceu em Guaratinguetá, no século XVIII, e foi canonizado em 2007 pelo papa Bento XVI, tornando-se o primeiro santo nascido no Brasil.
A relação dos moradores da região e dos peregrinos com o religioso também aparece nos pequenos gestos de devoção, como amarrar fitas, deixar bilhetes aos pés da imagem e tomar as pílulas.
Segundo o reitor do Santuário de Frei Galvão, Diego Atalino de Melo, a origem regional do santo e sua proximidade com a população ajudam a explicar essa relação.
“Frei Galvão, até mesmo por ser um santo franciscano, santo aqui da nossa terra, ele inspira muita proximidade, ele inspira familiaridade. E com quem a gente é familiar, a gente deixa de lado as cerimônias, os ritos, as palavras bonitas e se relaciona de uma maneira muito próxima.”
Para o reitor, os pedidos e as pílulas são expressões dessa confiança.
“Então o bilhetinho deixado aos pés do santo é o jeito do povo dizer que acredita, que confia nele. A pílula que é ingerida é exatamente essa expressão de alguém que acredita. O santo também me dá um remédio.”
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