USP diz que não foi avisada sobre ação da PM em desocupação da reitoria e repudia violência

  • 10/05/2026
(Foto: Reprodução)
PM retira estudantes de ocupação na reitoria da USP em SP em ação durante a madrugada A Universidade de São Paulo (USP) afirmou neste domingo (10) que não foi avisada previamente sobre a ação da Polícia Militar que retirou estudantes da ocupação da reitoria da instituição, no campus do Butantã, na Zona Oeste da capital paulista. Em nota, a universidade também repudiou a violência durante a operação e disse defender o diálogo como forma de resolução dos conflitos. A desocupação aconteceu durante a madrugada de domingo (10), por volta das 4h15. Segundo estudantes e representantes do Diretório Central dos Estudantes (DCE), policiais usaram bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e cassetetes para retirar os manifestantes do prédio. Vídeos gravados pelos alunos mostram agentes avançando contra o grupo dentro da reitoria (veja acima). Polícia Militar usa cassetetes e bombas de gás para desocupar reitoria da USP, no Butantã, Zona Oeste de São Paulo. Reprodução/Redes Sociais Em nota, a USP afirmou que havia comunicado a ocupação à Secretaria da Segurança Pública (SSP) na quinta-feira (7), quando os estudantes invadiram o prédio, mas disse que a operação policial deste domingo ocorreu “sem comunicação prévia à Reitoria”. “A USP repudia que a violência substitua o diálogo, a pluralidade de ideias e a convivência democrática como forma de avanço de pautas e solução de controvérsias”, afirmou a universidade. A reitoria também disse que manteve negociações com o movimento estudantil ao longo dos últimos dias e afirmou que parte das reivindicações já havia sido atendida. Segundo a universidade, sete grupos de trabalho foram criados para discutir outros pontos da pauta. Ainda de acordo com a instituição, algumas demandas não poderiam ser atendidas por estarem fora do âmbito de atuação da USP. A PM afirmou que cerca de 150 pessoas foram retiradas da reitoria e negou feridos na ação. A corporação disse ainda que “eventuais denúncias de excesso serão rigorosamente apuradas”. Segundo o DCE, quatro estudantes foram detidos e encaminhados ao 7º Distrito Policial, na região da Lapa, mas acabaram liberados após a qualificação. Os estudantes ocupavam a reitoria desde quinta-feira (7), quando invadiram o prédio durante um protesto ligado à greve de alunos da USP, Unicamp e Unesp. O movimento cobra melhorias nas políticas de permanência estudantil, como aumento de bolsas, reforma das moradias universitárias e manutenção da estrutura física dos campi. Ação da polícia A Polícia Militar retirou estudantes de uma ocupação na Reitoria da Universidade de São Paulo (USP), no campus do Butantã, Zona Oeste de SP, durante uma ação realizada na madrugada deste domingo (10), por volta das 4h15. Segundo relatos de alunos, os agentes usaram escudos, cassetetes, bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo durante a operação surpresa e sem aviso prévio. De acordo com a assessoria de imprensa do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da USP, diversos estudantes ficaram feridos durante a ação policial. O que diz a Polícia Militar Por meio de nota, PM afirmou que 150 pessoas foram tiradas da reitoria e que a ação não teve feridos e foi gravada por câmeras operacionais portáteis dos policiais. Segundo a polícia, “eventuais denúncias de excesso serão rigorosamente apuradas”. “Após a desocupação, uma vistoria no espaço constatou os danos ao patrimônio público, entre eles a derrubada do portão de acesso, portas de vidro quebradas, carteiras escolares danificadas, mesas avariadas e danos à catraca de entrada. No local, também foram apreendidos entorpecentes, armas brancas e objetos contundentes, como facas, canivetes, estiletes, bastões e porretes”, disse a corporação. “A Polícia Militar afirmou que os quatro estudantes detidos por dano ao patrimônio público e alteração de limites. Após a qualificação, elas foram liberadas. A Polícia Militar ressalta que O policiamento segue no local para garantir a ordem pública e a integridade do patrimônio público”, afirmou. LEIA MAIS: Motorista de Porsche é preso por dirigir embriagado e bater em quatro carros estacionados no Tatuapé, Zona Leste de SP Frente fria derruba temperaturas e pode provocar chuva neste domingo em São Paulo Em comunicado publicado nas redes sociais, o DCE -USP disse que os PMs formaram "um corredor polonês para espancamento e quatro estudantes detidos". "Essa ação ocorre de forma abusiva eivada de ilegalidade, vez que ocorre sem qualquer determinação judicial que pudesse embasar a ação policial. É preciso apontar que, mesmo em situações em que há determinação de reintegração de posse (o que não é o caso), existe um conjunto de regras que orientam o procedimento de desocupação, entre as quais a ilegalidade da realização de operações entre às 21h e 5h, algo pacífico nos tribunais", afirmou o DCE. "A ocupação já passava de 60 horas, não havia qualquer sinal de violência ou grave ameaça a qualquer pessoa, a operação ocorreu fora do horário de funcionamento administrativo, e a todo momento houve acompanhamento policial. Ainda no rol das ilegalidades, não há qualquer informação sobre a motivação real para a detenção de quatro estudantes, ou mesmo, quais condutas lhes foram imputados para que ensejasse o encaminhamento destes estudantes à 7ª DP", disse o órgão. O que diz a USP Íntegra da nota da Universidade de São Paulo: "A Universidade de São Paulo (USP) lamenta os acontecimentos durante o processo de reintegração de posse do prédio da Reitoria, ocorrido na manhã deste domingo, dia 10 de maio. Cumprindo seu dever de ofício de proteção da integridade física dos docentes, servidores técnico-administrativos, estudantes e terceirizados, bem como dos espaços físicos, a Reitoria informou sobre a ocupação à Secretaria de Segurança Pública (SSP), no mesmo dia do ocorrido (7/5), com vistas à adoção dos protocolos de proteção e de preservação da ordem de competência das autoridades policiais. Na manhã deste dia 10 de maio, sem comunicação prévia à Reitoria, houve a desocupação do espaço público pela Polícia Militar. Segundo nota oficial da SSP, “a Polícia Militar ressalta que eventuais denúncias de excesso serão rigorosamente apuradas”. Importante ressaltar que, ao longo de todo esse período, a Reitoria manteve a disposição permanente para o diálogo e para o acompanhamento dos encaminhamentos acordados nas negociações com o movimento estudantil. As tratativas, no entanto, chegaram a um limite diante: Do atendimento de diversos itens da pauta por parte da Reitoria; Da constituição de sete grupos de trabalho para estudo de viabilidade de outros pontos da pauta; Da insistência em reivindicações que não podem ser atendidas; e De itens de pauta fora do âmbito de atuação da Universidade e a presença de pessoas externas à comunidade acadêmica. A Reitoria segue aberta a um novo ciclo de diálogo com a finalidade de consolidar o que já foi encaminhado nas reuniões com a representação estudantil, o que pressupõe a manutenção do direito de ir e vir em todos os espaços da Universidade. Por fim, a USP repudia que a violência substitua o diálogo, a pluralidade de ideias e a convivência democrática como forma de avanço de pautas e solução de controvérsias e reforça que continuará atuando com responsabilidade institucional, buscando a pacificação do ambiente universitário". Início da ocupação Estudantes da USP em greve há 3 semanas fazem manifestação e invadem reitoria da universidade Alunos da USP, Unicamp e Unesp estão em greve por melhorias na permanência estudantil e na estrutura das universidades. Os estudantes de diversos cursos mantinham nesta sexta-feira (8) a ocupação do prédio da reitoria da Universidade de São Paulo (USP) no Butantã. O grupo invadiu o espaço na tarde de quinta-feira (7), durante um protesto ligado à greve das universidades estaduais paulistas. Os alunos passaram as noites em barracas do lado de fora do prédio e também dormiram em colchões do lado de dentro. Ocupação da reitoria da USP, na Zona Oeste de SP Lívia Martins/TV Globo À TV Globo, os discentes afirmaram que a universidade cortou a energia e a água da reitoria na manhã desta sexta - informação confirmada pelo g1. Ao menos três policiais do Batalhão de Ações Especiais de Polícia (BAEP) já estavam dentro do campus. Os agentes ficaram com escudos e parados em um dos acessos da reitoria. Além disso, duas viaturas da Polícia Militar faziam ronda nas proximidades do prédio, durante o período de ocupação. O ato cobrava a retomada das negociações com o reitor da USP, Aluísio Segurado. Os estudantes exigem melhoria nas políticas de permanência estudantil, como aumento de bolsas, reforma das moradias universitárias e manutenção da estrutura física dos campi. No dia 15 de abril deste ano, alunos relataram que encontraram um ninho de pombo dentro da cozinha do Conjunto Residencial da USP (Crusp). Ao g1, Henrique Pupio, diretor da União Estadual dos Estudantes de São Paulo, disse que a reitoria não estaria disposta a ceder à pressão do movimento. "Acreditamos que essa intransigência tem levado a um maior tensionamento, que só poderá ser resolvido com a reabertura do diálogo com os estudantes", afirmou Pupio, que é estudante da Faculdade de Direito e diretor do Centro Acadêmico XI de Agosto. "Quanto à Faculdade de Direito, estando em processo de assembleia hoje e segunda para deliberar a continuidade na greve. O XI de Agosto defende que a mesa de renegociação seja reaberta e que os estudantes sejam ouvidos. Somente o diálogo poderá resolver a situação", completou. Estudantes afirmaram que um ninho de pombo foi encontrado na cozinha da moradia estudantil Arquivo pessoal Ocupação da reitoria da USP Imagens gravadas no local por um funcionário da universidade mostram o momento em que manifestantes pulam o portão da entrada e derrubam portas de vidro do edifício (veja abaixo). Cerca de 400 estudantes participaram da manifestação. Durante a manhã de quinta (7), alunos chegaram a acampar em frente à entrada da reitoria. Após pularem o portão, os estudantes entraram no saguão da reitoria. O portão do lado de fora também foi derrubado. Policiais militares, alguns com escudos, acompanharam a movimentação à distância, mas não houve confronto. Praça do Relógio e Reitoria da Cidade Universitária, na Zona Oeste de São Paulo. Cecília Bastos/USP Imagens Greve nas universidades A greve reúne estudantes da USP, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Na USP, estudantes do Conjunto Residencial da Universidade de São Paulo (Crusp) afirmam que os prédios enfrentam problemas estruturais graves. A equipe da TV Globo esteve no Crusp na noite da quarta-feira (6) e registrou várias luminárias queimadas, entre outros problemas estruturais devido à falta de manutenção. Há pisos, janelas, azulejos e canos velhos e quebrados. Quartos com mofo, infiltrações que não são resolvidas. Em uma cozinha coletiva, as luzes nem sequer acendem. Em uma outra, o fogão está com um vazamento de gás, e os alunos precisam desligar o registro geral embaixo da pia. Na Unesp, estudantes do Instituto de Artes, na Barra Funda, também aderiram à paralisação. Eles pedem a ampliação de serviços básicos no período noturno, como atendimento médico e funcionamento da biblioteca até o fim das aulas. A mobilização ganhou força após a morte da professora Sandra Regina Campos, que sofreu um mal súbito durante uma palestra realizada à noite na universidade, em 7 de abril. Segundo estudantes, os profissionais de saúde já haviam deixado o campus quando ela passou mal. O que dizem as universidades Em nota, a reitoria da USP lamentou a invasão e os danos ao patrimônio público. A Unesp afirmou que não foi procurada oficialmente por representantes do movimento estudantil, mas informou que as reivindicações serão discutidas na próxima segunda-feira em reunião do Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas. Já a Unicamp disse que mantém diálogo contínuo com entidades estudantis e direções das unidades e afirmou que prioriza políticas de permanência estudantil, incluindo moradia, transporte e auxílios financeiros. Motorista de Porsche é preso por dirigir embriagado e bater em quatro carros no Tatuapé

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/05/10/usp-diz-que-nao-foi-avisada-sobre-acao-da-pm-em-desocupacao-da-reitoria-e-repudia-violencia.ghtml


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